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É Óbvio Que o Presidente Precisa de Um Partido Para Disputar a Reeleição: O Que Está de Fato em Jogo

por paulo eneas
É óbvio que o presidente Bolsonaro precisa filiar-se a um partido político para disputar a reeleição, como exige a lei. Esta necessidade tem sido apresentada como contra-argumento aos que têm questionado a escolha feita pelo presidente em filiar-se ao Partido Liberal, sigla do Centrão chefiada por Valdemar Costa Neto.

O que está em jogo e que muita gente não têm percebido é que esta opção por uma sigla do Centrão vem acompanhada de um esforço excepcional por parte do governo e do próprio Centrão em aprovar a PEC dos Precatórios, que irá viabilizar a expansão do Auxílio Brasil, novo nome do Bolsa Família.

Nas eleições de 2018, o então candidato Jair Bolsonaro venceu a disputa para a presidência em cima de um programa baseado em valores e pautas de viés conservador, que mobilizaram a direita no país inteiro. Para o ano que vem, fica cada vez mais evidente que esse tom ideológico estará ausente e que a aposta eleitoral de Bolsonaro será outra.

Esta aposta será justamente a expansão do assistencialismo estatal em seu governo, expansão esta impulsionada em grande parte pelo contexto sócio-econômico decorrente dos fechamentos das atividade econômicas promovidos por governadores e prefeitos a pretexto da pandemia do coronavírus.

Esta aposta comporta riscos, pois além de não representar garantia alguma para o próprio presidente quanto a sua reeleição, irá beneficiar principalmente o Centrão, que irá dar o tom da campanha, conforme mostramos no artigo A Opção Partidária do Presidente Bolsonaro & O Clientelismo Eleitoral Turbinado Com a PEC dos Precatórios Que Beneficiará o Centrão, restando pouco ou nenhum espaço para uma pauta genuinamente conservadora a ser apresentada.

São estas siglas do Centrão as que mais ganharão, com o crescimento de suas bancadas, com a aposta feita pelo governo no voto de retribuição de caráter assistencialista, pois estas siglas já possuem a expetise para tal, adquirida desde a época dos governos petistas, dos quais esta siglas foram partícipes e cúmplices.

Portanto, o que está em questão não é a necessidade, óbvia, do presidente escolher uma sigla para disputar a reeleição. Mas sim avaliar em que medida a escolha feita possibilitará, ou não, algum espaço de compromisso programático com uma agenda de viés conservador para o próximo governo. Crédito da imagem: Senado Federal – Creative Commons.


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