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Angola: julgamento de líderes da Igreja Universal começa com tumulto

Dirigentes brasileiros da IURD em Angola são acusados de associação criminosa e lavagem de dinheiro

O julgamento de quatro líderes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) começou com tumulto e orações na manhã desta quinta-feira, 18, no Tribunal Provincial de Luanda, capital de Angola.

Os indiciados pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro são o ex-representante máximo da IURD no país, Honorilton Gonçalves da Costa, que se denomina bispo Gonçalves; o ex-diretor da Record TV África, Fernando Henrique Teixeira; o também denominado bispo Antônio Correia da Silva; e o pastor Valdir Sousa dos Santos.

O caso pode ser resumido como um racha na liderança da organização no país africano, confrontando as alas brasileira e angolana. Vários dos líderes brasileiros chegaram a ser deportados. A partir deste episódio, a TV Record, que pertence à IURD, passou a transmitir reportagens contra a primeira-dama Ana Dias Lourenço, o que levou o advogado João Amaral Gourgel a não mais querer representar os bispos brasileiros por considerar aquelas reportagens “ofensivas” e “depreciativas”.

Julgamento de líderes da Igreja Universal do Reino de Deus

Pouco antes do início da sessão desta quinta-feira no tribunal de Luanda, Honorilton Gonçalves e o advogado de acusação David Mendes discutiram e tiveram de ser contidos pelos agentes policiais para, segundo a rede alemã de notícias DW, “não chegar às vias de fato”.

O tumulto teria começado depois que o assim chamado bispo cumprimentou o advogado dos pastores da ala angolana. Segundo o próprio Mendes, Gonçalves o teria chamado de “criminoso”. Mendes afirmou: “Ele teve sorte de fugir, porque senão dava-lhe uma bofetada”. Honorilton Gonçalves, por sua parte, declarou ter apenas cumprimentado David Mendes e afirmado que não era nenhum criminoso.

Na sala de audiências, o juiz Tutti António pediu que os envolvidos no processo se acalmassem. Enquanto isso, do lado de fora do edifício do tribunal, centenas de fiéis apoiadores das alas brasileira e angolana permaneciam reunidos. Alguns deles deram declarações à DW África: “A Igreja Universal tornou-se um palco de crimes. Viemos aqui para acompanhar este julgamento e vermos qual será o desfecho. Estamos aqui como membros da igreja”, disse um deles. Outro declarou: “O que nós exigimos de concreto é nada mais do que a justiça”. Uma senhora acrescentou: “Fizemos as nossas orações, louvamos o nosso Deus, porque nós queremos muito mais do que a justiça dos homens. Queremos a justiça de Deus”.

Na sessão desta sexta-feira, 19, acontecem a leitura da acusação e as oitivas dos envolvidos.

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